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Quem são os quase 700 mil eleitores, fora do Brasil, que podem votar em presidente

Conforme estimativa divulgada em 2021 pelo “Departamento Consular do Ministério das Relações Exteriores”, cerca de 4,2 milhões de brasileiros vivem no exterior.

Com a aproximação da eleição presidencial no Brasil, em 2 de outubro, todos os mecanismos de votação serão ativados, incluindo o voto dos brasileiros no exterior.

A pesquisa de Miguel Kamiunten, diretor do “BBG-Ásia” e membro fundador do “Movimento Brasileiros Emigrados (MBE)”, aponta um número expressivo de eleitores residentes na Flórida e exterior – cerca com 700 mil – com direito ao voto para escolha do novo presidente.

Conforme estimativa divulgada em 2021 pelo “Departamento Consular do Ministério das Relações Exteriores”, cerca de 4,2 milhões de brasileiros vivem no exterior. Um aumento de mais de 20% nos últimos três anos e com tendência de crescer. Das dez maiores comunidades brasileiras por jurisdição consular, cinco estão nos EUA – Nova York, Miami, Boston, Los Angeles e Atlanta. Três na Europa, Londres, Lisboa e Milão, uma no Paraguai, Ciudad Del Este e outra no Japão, em Nagoia.

 

Com base nos dados divulgados pelo “Tribunal Superior Eleitoral (TSE)” no início de julho, o eleitorado no exterior representa 0,43% do total de eleitores que escolherão o próximo presidente da República em 2 de outubro. Com vigor o brasileiro emigrado revela engajamento e reivindica participação e representatividade política O eleitor no exterior está distribuído em mais de 90 países e 183 cidades.

O primeiro turno será em 2 de outubro e o eventual segundo turno, dia 30 do mesmo mês. De acordo com a Constituição Federal, quem reside no exterior pode votar apenas para Presidente e Vice-Presidente. O voto é facultativo para os jovens entre 16 e 17 anos, para os analfabetos e para os que têm mais de 70 anos. A votação ocorrerá das 8h às 17h, conforme o fuso horário do local de residência.

Eleitores na Flórida

Lisboa tem o maior número de eleitores no exterior Mais de 27% do eleitorado concentra-se em cinco jurisdições consulares. Os EUA, país com mais da metade dos 4,2 milhões de brasileiros expatriados, centralizam em Miami, 40.189 eleitores e Boston, 37.159. Na Europa, a concentração divide-se em Lisboa (45.273) e em Londres (34.498).

Já a jurisdição consular de Nagoia, no Japão, registrou até o dia 4 de maio, último dia para regularização e transferência do título eleitoral, 35.651 eleitores. Proporcionalmente, o colégio eleitoral de Nagoia, onde residem cerca de 122.000 brasileiros tem 35.651 eleitores, revelando uma vontade cívica maior do que em outras jurisdições.

A título de comparação, Nova York, onde residem mais de 450.000 cidadãos com passaporte verde amarelo, tem unicamente 27.937 eleitores. Ainda assim, a maior concentração de eleitores, em comparação ao número absoluto de residentes por jurisdição, encontra-se em Lisboa, Portugal.

Ranking, Jurisdição consular, eleitorado e total de brasileiros residentes por jurisdição: 1° Lisboa – Portugal, 45.273 eleitores, 180.000 residentes;  2° Miami – Flórida, 40.189 eleitores, 410.000 residentes; 3° Boston – Massachusetts, 37.159 eleitores, 360.000 residentes; 4° Nagoia – Japão, 35.651 eleitores, 122.000 residentes; 5° Londres – Inglaterra, 34.498 eleitores, 220.000 residentes. Total 192.770 eleitores brasileiros, 1.292.000 residentes.

“Estado dos Emigrantes”

Estão aptos a votar no exterior, 697.078 brasileiros. Um aumento de cerca de 39% do eleitorado registrado no mesmo período em 2018, última vez em que os brasileiros residentes no exterior compareceram às urnas. Esse contingente supera o eleitorado de três estados da federação.

Estado/país, eleitorado e percentual:

Brasil, 156.454.011 eleitores, 100,00%; Roraima, 366.240 eleitores, 0,23%; Amapá, 550.687 eleitores, 0,35%; Acre, 588.433 eleitores, 0,38%. Brasileiros no exterior, 697.078 eleitores, 0,43%.

Brasileiros no exterior

Historicamente o Brasil é conhecido como um país de imigrantes, mas nas últimas três décadas, passou a “exportar” gente. A diáspora brasileira é recente e foi motivada por problemas econômicos e sociais. Em sua maioria, o brasileiro não emigra por que quer, mas por necessidade e em busca de melhores oportunidades. Caso fosse um estado da federação, as comunidades brasileiras no exterior estariam entre as 14 maiores unidades federativas e no ranking de população, ficariam logo abaixo do Estado de Goiás, que tem, 6,6 milhões de habitantes.

Perfil do eleitor no exterior

A proporção eleitoral permaneceu quase a mesma desde 2014, com preponderância para as mulheres. Em 2022, a maioria, 58,54%, é de mulheres. São 408.055 eleitoras habilitadas. Os homens correspondem a 41,46%, quase 290 mil. Comparando com o eleitorado do exterior de 2018, o aumento neste ano foi de 39%. Se compararmos com os do pleito de 2014, o número é mais expressivo, 96%. Fazendo um paralelo com o crescimento registrado no Brasil, o aumento foi de 6% nos últimos quatro anos.

Faixa etária

No quesito idade, houve um expressivo aumento de eleitores que ainda não completaram a maioridade. Em 2018 eram apenas 285 votantes e neste ano, 1.835 eleitores. O eleitorado acima de 70 anos também cresceu, de 12.216 para 22.046 eleitores. Vale lembrar que o voto é facultativo para menores de 18 anos e pessoas com mais de 70 anos. Os dados revelam uma vitalidade, um desejo de participar e exercer sua cidadania.

Grau de instrução

Com relação ao grau de instrução, 130 mil eleitores, cerca de 19% do total do eleitorado, informou ser analfabeto, somente ler e escrever, ou não ter concluído o ensino fundamental, ou médio. Os dados apontam também que dos quase 8.000 eleitores que são analfabetos ou somente leem ou escrevem, cerca de 60%, são mulheres.

Não se conhece um perfil detalhado dos brasileiros no exterior e os dados acima não refletem a totalidade, mas é uma amostra significativa e que pela primeira vez, permite conhecer melhor a situação educacional. Os números também expõem uma fragilidade e desmentem a narrativa de que o emigrado é preponderantemente de pessoas com nível superior.

Sem formação básica ao menos, o expatriado continuará tendo dificuldades em se capacitar, crescer profissionalmente e continuará sendo, em sua grande maioria, mão de obra descartável.

É fato que muitos brasileiros saíram do Brasil em busca de melhores condições de vida, mas sua brasilidade, sentimento de simpatia e amor pelo país, persiste.

Serviço

Fontes: Portal consular – https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/arquivos/ComunidadeBrasileira2020.pdf Tribunal Superior Eleitoral: https://www.tse.jus.br/

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