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Pesquisadores apostam em vacina de spray para reduzir transmissão de Covid-19

Apesar das vacinas contra Covid-19 terem demonstrado eficácia na diminuição das complicações da doença e nas mortes, especialistas se preocupam com a quantidade de infecções e consideram reforços e atualizações dos imunizantes como necessários.

Nas últimas duas semanas, os hospitais privados de todo o país registraram um aumento de 94% dos casos, segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Para conter novas ondas da Covid-19, os especialistas acreditam na vacina nasal, que está sendo estudada em vários locais do mundo e no Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas), em São Paulo.

A microbiologista Natalia Pasternak destaca as vantagens do modelo de imunização. “Quando a gente teve as primeiras vacinas para Covid, a preocupação maior era reduzir hospitalização e morte. A gente sabia que não ia conseguir reduzir drasticamente o contágio com aquelas primeiras vacinas. É o momento ideal pra começar a explorar novas estratégias”, argumenta.

O doutor Jorge Kalil, que está à frente dos estudos no Incor, conta que as pesquisas começaram ainda em 2020. Agora, a tecnologia, que já foi usada contra a influenza, precisa ser testada em humanos.

“Quando recebemos uma vacina no braço, nós induzimos uma resposta sistêmica. Então todo o organismo vai produzir os anticorpos que vão circular no sangue. Eles são do tipo IgG, que vai proteger o nariz e o pulmão, mas com menos intensidade. Quando você faz uma vacina intranasal, ela tem que ter características próprias para se instalar na célula mucosa e induzir resposta forte no local. Essa resposta é por meio do IgA“, detalha.

Quando a gente toma uma vacina intramuscular, essa vacina viaja até os gânglios e ativa o sistema imunológico, induzindo o organismo a uma resposta às doenças. As mucosas, no entanto, têm um sistema imunológico quase que paralelo. Nesta vacina nasal, então, ativa-se diretamente essas mucosas, como nariz e garganta, impedindo o vírus de entrar no organismo.

Kalil explica também que, imunizando a área nasal, as outras portas de entrada do vírus, como olhos e boca, estariam protegidas. “Quando nós imunizamos o nariz, a boca e toda a auto faringe fica imunizada. Os olhos podem ficar também, porque tem uma comunicação com o canal lacrimal. Em princípio, tudo ficaria protegido”, resume.

A vacina estudada no Brasil precisa agora passar pelos testes em humanos. Existem obstáculos à frente até que ela possa ser usada como estratégia contra a pandemia.

“Não sabemos exatamente quais obstáculos teremos, mas, depois que nós tivermos esse produto industrial, os testes clínicos estão programados para sair de forma muito rápida. Em coisa de 6 meses nós devemos terminar os ensaios clínicos. Eu diria que nós precisamos de mais um ano pelo menos”, prevê o médico.

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