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IPCA registra deflação de 0,68% em julho com queda nos combustíveis

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (9/8) pelo IBGE, no ano, a inflação acumulada é de 4,77% e, nos últimos 12 meses ainda é de 10,07%

Pressionado pela queda nos preços dos combustíveis, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que mede a inflação, ficou em -0,68%. Segundo os dados divulgados nesta terça-feira (9/8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esta é a primeira vez em que o índice fica no campo negativo, menor taxa registrada desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 1980. No ano, a inflação acumulada é de 4,77% e, nos últimos 12 meses, ainda é de 10,07%.

No dia 20 de julho, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,20 no preço médio do combustível vendido para as distribuidoras. Além disso, a Lei Complementar 194/22, sancionada no final de junho, que reduziu o ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações também impactou no resultado. Essa redução afetou não só o grupo de transportes (-4,51%), mas também o de habitação (-1,05%), por conta da energia elétrica (-5,78%).

Outro grupo que contribuiu para a deflação foi vestuário, com uma desaceleração de 1,67% para 0,58%, após apresentar a maior variação positiva entre os grupos pesquisados nos meses de maio e junho. Também registrou queda o grupo de saúde e cuidados pessoais (0,49%) devido à variação inferior dos valores dos planos de saúde (1,13%), na comparação com o mês de junho (2,99%), e à queda de 0,23% dos itens de higiene pessoal, frente à alta de 0,55% em junho.

Leite longa vida

Em contrapartida, o setor de alimentação e bebidas teve mais uma vez a maior variação, de 1,30%, impacto positivo 0,28 pontos percentuais no índice do mês. O resultado foi puxado pelo leite longa vida, que subiu mais de 25%, e pelos derivados do leite como queijo (5,28%) e manteiga (5,75%).

A alta do leite contribuiu especialmente para o resultado da alimentação no domicílio, que acelerou de 0,63% em junho para 1,47% em julho. Outro destaque foram as frutas, com alta de 4,40% e impacto de 0,04 p.p. no IPCA de julho.

“Essa alta do produto se deve, principalmente, a dois fatores: primeiro porque estamos no período de entressafra, que vai mais ou menos de março até setembro, outubro, ou seja, um período em que as pastagens estão mais secas e isso reduz a oferta de leite no mercado; além do fato de os custos da produção estarem muito altos”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Regiões

Todas as áreas pesquisadas tiveram variação negativa em julho. A menor variação foi registrada em Goiânia (-2,12%), onde pesaram as quedas de 21,57% nos preços da gasolina e de 14,90% na energia elétrica.

A maior variação, por sua vez, ocorreu em São Paulo (-0,07%), única região a apresentar alta de energia elétrica (0,37%) no mês. Adicionalmente, contribuíram também para o resultado da área as altas do leite longa vida (21,95%) e do aluguel residencial (1,85%).

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