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Daniel Alves deu três versões diferentes após ser acusado de agressão sexual

O jogador brasileiro Daniel Alves entrou em contradição três vezes durante depoimentos que prestou às autoridades da Espanha que investigam a acusação de agressão sexual feita por uma mulher de 23 anos.

Preso preventivamente desde sexta-feira (20), sem direto à fiança, o lateral nega qualquer tipo de crime, mas apresentou versões diferentes sobre o ocorrido quando questionado em menos de 45 minutos de interrogatório. Segundo o jornal “El País” e a TV3, Daniel Alves mudou a sua versão durante as seguintes situações:

  1. Primeiro, Alves tinha negado a relação sexual e qualquer encontro com a jovem. Ele afirmou isso num vídeo enviado ao canal espanhol “Antena 3” há duas semanas, quando as acusações se tornaram públicas;
  2. Depois, em depoimento à juíza que investiga o caso, ele teria dito que estava no banheiro da boate de luxo “Sutton” quando a mulher entrou, mas que não teve contato algum com ela e que ficou parado, sem saber o que fazer;
  3. Por fim, admitiu que fez sexo com a suposta vítima, mas garantiu que as relações foram consensuais. De acordo com o “El País”, que ouviu fontes da Justiça espanhola, Alves disse ainda que a mulher se lançou em direção a ele no banheiro para fazer sexo oral. Além disso, acrescentou que ele não tinha dito nada até então sobre isso para “protegê-la”.

Essas contradições e o fato do lateral não ter um endereço conhecido na Espanha, bem como o Brasil não ter um acordo de extradição com o país, teriam motivado a prisão de Daniel Alves. Além disso, a acusação afirmou que, por causa do seu patrimônio, o jogador poderia até alugar ou comprar um avião particular e sair da Espanha sem ter que mostrar o seu passaporte.

O jornal El País relata o que teria ocorrido na boate.

A mulher, de 23 anos, estava com uma amiga e uma prima. As três ganharam convite para entrar na boate Sutton. Estavam em um bar próximo. Quando elas chegaram à danceteria, Daniel Alves e um grupo de mexicanos estavam na área VIP. E as convidaram para ficar com eles. Elas foram.

De acordo com a publicação, ela revelou que Daniel Alves se apresentou como jogador de bocha, e não de futebol.

E se aproximou dela por trás, pegando em sua mão e forçando que a colocasse nas suas partes íntimas. “Estava me dando nojo. Ele pegou minha mão e a colocou no seu pênis. E eu a tirei”, seriam as frases que ela usou no depoimento. Mas Daniel Alves seguiu insistindo e indicou que ela fosse ao banheiro com ele. Ela foi, mas garantiu que não sabia que era banheiro.

O atleta teria trancado a porta. O El País prossegue, afirmando que Daniel Alves foi violento. Queria forçá-la a tomar atitudes sexuais. Diante da negativa, o jogador a teria esbofeteado, com tanta intensidade que ela caiu no chão. Foi quando, ainda de acordo com o jornal espanhol, ele a penetrou, sem consentimento.

Ao terminar a relação sexual, Daniel teria exigido que ela ficasse no banheiro. Ele saiu sozinho e tratou de ir embora. Depois de dois minutos, de acordo com a filmagem, ela teria saído, chorando, desesperada, pelo que aconteceu.

Sua amiga e a prima a acudiram e chamaram os seguranças. Mas houve tempo suficiente para Daniel Alves ir embora.

A polícia foi chamada, a mulher fez exames médicos e entregou seu vestido, que continha, de acordo com os jornais espanhóis, sêmen. E o exame de DNA comprovará se ele era, ou não, de Daniel Alves.

A suposta vítima também teria relatado à polícia que não quer nenhuma compensação financeira de Daniel Alves, que ela sabe ser milionário. O que deseja é que a lei “seja cumprida”. A Espanha mudou, em outubro de 2022, a legislação em relação à violência sexual contra a mulher.

Batizada de “só o sim é sim”, ela prevê penas mais duras. Desde que comprovado o abuso, o estupro, o criminoso terá de ficar na cadeia entre 4 e 12 anos. Daniel Alves, que está preso desde sexta-feira em uma cadeia longe do centro de Barcelona, permanece garantindo inocência.

E que a relação sexual foi “consentida”. Seus advogados estão tentando revogar a prisão preventiva, que valeria até o julgamento, sem data para acontecer. Pode ser nos próximos dias ou meses. A CBF, como ocorre com escândalos sexuais que envolvem jogadores da seleção brasileira, não se manifestará. Considera que se trata de um problema particular do atleta.

A direção do Pumas manterá a decisão de demissão por justa causa. A rescisão será oficializada na segunda-feira, quando o clube mexicano pagará o que deve ao atleta.

Seu contrato terminaria em junho deste ano. O Pumas sentiu que sua imagem foi profundamente prejudicada por ter um atleta “seu” preso, acusado de estupro.

O São Paulo, que deve prestações mensais de R$ 400 mil a Daniel Alves, como acordo por sua saída do clube, seguirá depositando “normalmente”.  “Uma coisa não tem nada a ver com outra”, me disse um conselheiro ligado à presidência.

O problema não é dinheiro. De acordo com publicações especializadas, Daniel Alves, que ganhou “muito bem” no Barcelona, na Juventus, no PSG, recebia R$ 1,5 milhão no São Paulo, e também não tinha o que reclamar do Pumas, possui vários imóveis e dezenas de milhões de reais investidos.

A suposta vítima não quer o dinheiro de Daniel Alves. Ela o quer “pagando” na cadeia pelo “sexo forçado”. Nenhum jogador da seleção, nem melhor amigo, mostrou solidariedade.

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