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Corrida de touros na Espanha volta após restrições da Covid-19

A fighting cow leaps over revellers during festivities in the bull ring after the first running of the bulls on the second day of the San Fermin festival in Pamplona July 7, 2010. There were no serious injuries in the run that lasted two minutes and twenty three seconds, according to the Navarra government press office. REUTERS/Joseba Etxaburu (SPAIN - Tags: ANIMALS ODDLY IMAGES OF THE DAY TRAVEL)

Milhares de foliões vestindo roupas brancas e lenços vermelhos encheram as ruas de Pamplona, na Espanha, nesta quarta-feira (6), no primeiro festival de corrida de touros de São Firmino desde o início da pandemia da Covid-19.

“Já estive no São Firmino muitas vezes, mas hoje está muito diferente. As pessoas sentiram falta da celebração, estão felizes por estarem com suas famílias, felizes por estarem sem máscaras. Só querem se sentir vivas e aproveitar o sol”, disse Michelle Rene, uma turista americana.

Pablo Cortes, um turista do Havaí que assistia à abertura do evento, acrescentou que: “A energia é incrível – esta é a maior festa, a melhor coisa que eu já vi na minha vida”.

No festival, com duração de 8 dias, vinho tinto e sangria são distribuídos de graça para os participantes. Muitos bebem e dançam a noite toda.

As corridas começam na quinta-feira (7). Touros de luta criados especialmente para o evento perseguem corredores pelas ruas estreitas do bairro velho de Pamplona em um trecho de 800 metros.

Nos finais de semana as corridas são mais perigosas, por causa do grande número de participantes. Desde 1910, 16 pessoas morreram nas corridas de touros em Pamplona, sendo a última vítima um homem que foi devorado por um touro em 2009.

São 8 corridas no total, geralmente cada uma dura entre três e cinco minutos. Elas terminam quando o animal é encurralado na arena de tourada.

Manifestantes dos direitos dos animais também se tornaram uma atração em Pamplona. Na véspera do festival deste ano, dezenas de ativistas se vestiram de dinossauros e seguravam cartazes: “Touradas são pré-históricas” enquanto corriam a rota de touros para protestar contra o que eles vêem como crueldade animal, instando os turistas a não participar.

Os touros usados nas corridas são mortos por matadores profissionais em touradas todas as tardes no ringue da cidade.

“A tourada é o mais longo ritual de execução de touros”, disse Chelsea Monroe, membro do PETA, grupo que defende os direitos dos animais. “Eles são apunhalados diversas vezes por 20 minutos até morrerem. Queremos que os turistas saibam que seu dinheiro está apoiando essa indústria cruel.”

As touradas são protegidas pela constituição espanhola como parte do patrimônio cultural do país. O espetáculo ainda é imensamente popular, embora o movimento contra ele tenha ganhado força. Grupos de direitos dos animais citam dados do Ministério da Cultura dizendo que 90% dos espanhóis não participaram de nenhum evento envolvendo touros em 2014 e 2015, último ano em que foi feita a pesquisa.

O festival ficou mundialmente famoso ao ser retratado no romance “O Sol Também se Levanta” de Ernest Hemingway. Antes de ser suspenso na pandemia, a última vez que o evento havia sido cancelado foi durante a Guerra Civil Espanhola na década de 1930.

 

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