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Convocação de artistas, dosagem de ataques e batalha contra voto útil: presidenciáveis ajustam estratégias na reta final

Os principais candidatos ao Palácio do Planalto chegam aos últimos dez dias de campanha até o primeiro turno com desafios diferentes, mas disputando prioritariamente os mesmos votos, dos brasileiros da região Sudeste, onde estão São Paulo, Rio e Minas Gerais, os três maiores colégios eleitorais do país. Enquanto o petista Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para liquidar a fatura sem a necessidade de segundo turno, seu maior concorrente, Jair Bolsonaro (PL), planeja mudar a estratégia na reta final para não sair da corrida e entrar para a História como o único presidente que não conseguiu se reeleger desde a redemocratização. Já Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) travam uma batalha particular contra o voto útil e pela sobrevivência eleitoral.

O levantamento mais recente, divulgado na segunda-feira pelo Ipec, traz Lula na liderança com 47% da preferência, à frente do atual titular do Planalto, que tem 31%. Mais atrás estão empatados tecnicamente Ciro, que somou 7%, e Tebet, com 5% das intenções de voto.

Bolsonaro prepara uma guinada no caminho traçado até aqui. Ele deverá dar mais ênfase às ações de sua gestão, equilibrando-as com os ataques a Lula. Pesquisas internas feitas pela campanha mostraram que o eleitor tem resistência para aderir ao discurso do presidente. Os bolsonaristas atribuem a dificuldade a falhas de comunicação do governo — uma crítica recorrente reverberada inclusive por integrantes do Planalto. A avaliação é que a fatura da ineficiência está chegando agora. Para eles, o governo não conseguiu disseminar as próprias realizações e, somado a isso, a cobertura crítica da imprensa atrapalha a validação do que é exibido no programa eleitoral.

Como parte da mesma estratégia, o presidente pretende marcar presença em debates, mesmo que Lula não compareça. Para o quartel general da campanha, trata-se de uma oportunidade para o candidato à reeleição apresentar os feitos da gestão sem precisar duelar contra o principal adversário, embora, na ausência do petista, Bolsonaro passa a ser o alvo preferencial dos demais concorrentes. Apesar de não ter confirmado oficialmente, o presidente deverá ir ao debate do SBT, neste sábado, e ao da TV Globo, na quinta-feira, dia 29, o último antes do primeiro turno. Lula, por ora, sinalizou que só deverá participar do que está marcado para a semana que vem.

Ofensiva nas redes

Na reta final, a determinação também é aumentar a ofensiva nas redes sociais, trincheira em que o bolsonarismo vem perdendo espaço para a mobilização de apoiadores de Lula. A ação será coordenada pelo vereador Carlos Bolsonaro e por uma equipe comandada pelo publicitário Sérgio Lima.

Lula, por sua vez, vai concentrar todos os esforços para atrair eleitores de Ciro e Tebet, na já deflagrada campanha pelo voto útil. Também trabalhará até o último momento para reduzir as abstenções — número de brasileiros que não vão às urnas — com o objetivo de ampliar o percentual de votos válidos e, nos cálculos petistas, aumentar as chances de vitória no primeiro turno. As duas estratégias, porém, serão casadas. Artistas como Caetano Veloso, Gal Costa e Aline Moraes, segmento entre o qual Lula encontra amplo apoio, foram escalados para virar votos para o ex-presidente ao longo dos próximos dias. As peças estreladas por eles já começaram a ser divulgadas.

Depois de serem diretamente criticados tanto por Simone Tebet quanto por Ciro Gomes, potenciais aliados num eventual segundo turno contra Bolsonaro, Lula e seus aliados começaram a construir um discurso em que evitam o termo “voto útil”. Em vez disso, numa alternativa sutil, dizem que irão em busca de apoios para o ex-presidente.

— Estamos mirando principalmente indecisos, votos brancos e nulos, e fazendo um grande esforço para que as pessoas não se abstenham de votar — disse a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

O tom das críticas também está sendo modulado. A tendência é que os ataques mais incisivos a Bolsonaro ocupem majoritariamente as inserções mais curtas, enquanto os programas eleitorais, mais longos, contenham propostas do ex-presidente, assim como menções a realizações petistas.

Estratégias da terceira via

Com estratégias distintas, Tebet e Ciro têm a investida do petista pelo voto útil como o inimigo em comum a ser vencido. Crescendo nas pesquisas, a emedebista tende a sair da primeira eleição presidencial que disputou politicamente maior do que entrou. Ciro luta para evitar o caminho inverso, já que tem oscilado para baixos nos levantamentos.

O pedetista tentará ampliar seu alcance entre as mulheres, dando mais espaço a elas em suas propagandas eleitorais. Até então, sua campanha vinha focando no brasileiro jovem, entre 18 e 24 anos, principalmente de baixa renda.

Além disso, Ciro tem ampliado a força dos petardos disparados contra Lula e tentado colar nos dois melhores colocados nas pesquisas a pecha de corrupto. Para isso, a campanha lançou uma série de três episódios intitulada “A fábula dos dois ladrões”, uma analogia em vídeo a Bolsonaro e Lula.

Simone Tebet trata os debates como o atalho para tentar surpreender na reta final, visto que ela ganhou espaço nas intenções de votos depois de participar de embates diretos contra seus adversários na TV. Sua equipe tem como prioridade não desidratar do patamar em que se encontra.

Para as propagandas de TV, que são veiculadas entre as da dupla que lidera a disputa, a tônica será deixar a agressividade entre Lula e Bolsonaro e focar numa comunicação mais propositiva, com detalhamento de ações para a saúde e combate à fome.

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