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Brasileiro conheceu coiotes mexicanos quando tentou entrar nos EUA

Anderson Jerônimo de Souza, conhecido como “Piscuila”, foi preso por suspeita de integrar uma organização criminosa que atuava no tráfico de pessoas do Brasil para os Estados Unidos. Em depoimento, o homem de 38 anos disse que conheceu os coiotes mexicanos quando tentou entrar no território americano em 2016, mas acabou barrado.

Foi a partir desses contatos que Piscuila iniciou sua atuação no envio de brasileiros para fazer a travessia a pé da fronteira entre Estados Unidos e México. Entre suas vítimas está Lenilda Oliveira dos Santos, encontrada morta em uma área desértica do Novo México, já em solo americano.

Piscuila admitiu, em interrogatório na Polícia Federal, que mantinha contatos com um mexicano e um brasileiro que atuam no México. Eles atuam diretamente na travessia de imigrantes ilegais, por via terrestre.

Os contatos ficaram mais intensos no ano passado, quando quatro brasileiros foram barrados no momento em que tentavam atravessar a fronteira entre os dois países. Piscuila então usou sua influência com os coiotes para desembaraçar a situação. O sucesso desta operação fez com ele ganhasse notoriedade em Rondônia.

No depoimento, Piscuila afirmou ter começado a intermediar imigração ilegal em 2021. Ele assumiu ter enviado “15 ou 16” pessoas para os Estados Unidos, recebendo cerca de US$ 1 mil por cada vítima. Ao todo, cada imigrante pagava por volta de US$ 22 mil, mas a maior parte do dinheiro era entregue aos coiotes no México.

Piscuila disse que operava sozinho no Brasil, mas tinha outros dois envolvidos no esquema, ambos no México: um é brasileiro e o outro mexicano. No entanto, ele conhecia esses interlocutores apenas pelo primeiro nome, o que dificulta o avanço das investigações.

Piscuila foi detido na cidade rondoniense de Ouro Preto do Oeste e cumpre mandado de prisão preventiva. Ele é suspeito de promoção da imigração ilegal e de homicídio com dolo eventual, pela morte de Lenilda.

A enfermeira brasileira tinha 49 anos quando foi abandonada por coiotes e outros imigrantes que tentavam entrar nos EUA atravessando o deserto à pé. Enquanto esteve sozinha, Lenilda enviou áudios para a família.

Nas mensagens, ela tentava mostrar otimismo e acreditava que seus colegas voltariam para buscá-la, conforme prometeram. Mas sua voz demonstrava que estava debilitada. “Eu estou escondida. Manda ela trazer uma água para mim, porque não estou aguentando de sede”, diz em uma das mensagens.

“O suspeito [Anderson] sabia que as pessoas tinham que andar cerca de 65 km no deserto, ele sabia que isso não é fácil, sabia que colocava as pessoas em risco de vida. Então acredito que cabe o homicídio com dolo eventual, mas quem vai denunciar é o MP [Ministério Público]”, explicou o delegado Lucas Ferreira Dutra.

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