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Bolsonaro usa 7 de setembro para impulsionar campanha em meio à tensão com STF e estagnação nas pesquisas

Tratado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) como um dia chave para mostrar força, capacidade de mobilização e destravar uma recuperação na campanha à reeleição, o Sete de Setembro deste ano eleitoral preocupa os adversários na corrida ao Planalto, que buscaram ontem resistir ao discurso patriótico pelo presidente, e também a outros chefes de Poderes, pela chance de ataques às instituições como no ano passado. Nos últimos dias, Bolsonaro intensificou a convocação de apoiadores para irem às ruas hoje, e a possibilidade de que faça discursos radicais contra o Supremo Tribunal Federal (STF) preocupa até mesmo aliados.

Para não deixar o simbolismo e uso político do bicentenário da Independência apenas com o presidente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), tiveram falas públicas ontem sobre o tema e devem dedicar o dia de hoje a agendas que remetam à data. Lula afirmou que Bolsonaro “quer usurpar” o 7 de Setembro do povo brasileiro, e Tebet apareceu em suas inserções e no horário eleitoral da TV enrolada numa bandeira brasileira.

Em Brasília, pela manhã, e no Rio, à tarde, o presidente estará em atos oficiais pelos 200 anos da Independência, com participação das Forças Armadas, e também em manifestações de apoio à sua reeleição, que a campanha intencionalmente tenta fundir. Há apreensão na campanha com o tom dos discursos que ele deve fazer nas duas cidades. Os próprios aliados creem que, numa tentativa de inflamar a base e impulsionar a campanha, Bolsonaro não poupe ataques ao Supremo e a seus ministros.

Desde a posse do ministro Alexandre de Moraes como presidente do TSE, o candidato à reeleição havia interrompido as falas públicas de ataques às urnas e aos tribunais superiores. A trégua acabou depois da operação da Polícia Federal, autorizada por Moraes, contra empresários bolsonaristas — flagrados em troca de mensagens de cunho golpista — e as decisões dificultando o acesso às armas e suspendendo decretos do presidente do sobre o tema, publicadas segunda-feira pelo ministro do STF Edson Fachin, elevaram a tensão. Aliados falam em “provocação” do Judiciário e avaliam que dificilmente Bolsonaro não abordará o assunto nos eventos da Independência.

Movimentação na Esplanada dos Ministérios na véspera do 7 de Setembro

No ano passado, em ato na Avenida Paulista, o mandatário chamou Moraes de “canalha” e disse que não acataria mais as suas decisões. A campanha — que tem tratado os atos de hoje como um “ponto de virada” da corrida eleitoral para reforçar a narrativa de que a popularidade de Bolsonaro está nas ruas — já argumentou que o discurso de confronto contra o STF e as urnas eletrônicas empolga a militância, mas não ajuda com os eleitores indecisos, os quais o presidente precisa conquistar para se aproximar de Lula na corrida à Presidência.

Na propaganda eleitoral exibida ontem (06) na TV, Bolsonaro conclamou as famílias a irem às ruas hoje e enfatizou que seria uma celebração do “nosso” Brasil: “Em paz e harmonia vamos saudar a nossa independência. Compareçam, a festa é nossa, do nosso Brasil, da nossa bandeira verde e amarela”. No entanto, em entrevista à Jovem Pan, o presidente voltou a criticar ministros do Supremo, afirmando que eles “trabalham aqui para eleger um bandido”.

Para tentar dissociar Bolsonaro de símbolos nacionais, explorados tanto por ele quanto por sua base em atos e manifestações, Lula dedicou todo o seu tempo da propaganda eleitoral ontem. O petista enfatizou que o Sete de Setembro “é para ser comemorado com alegria e união por todos os brasileiros”:

“Esse governo abandonou o povo e vem destruindo o país. Eles usam nossa bandeira para mentir, pregar o ódio e incentivar a venda de armas. Eles ameaçam nossa soberania. E soberania é defesa do território e das nossas riquezas. É respeito à democracia”.

Símbolos nacionais

No vídeo, aparecem imagens da bandeira do Brasil sendo hasteada, além de retratos de diferentes regiões do país onde populares vestem uma réplica da faixa presidencial em verde e amarelo. Mais cedo, durante reunião com representantes dos partidos que o apoiam, Lula já havia criticado o presidente por conta do Dia da Independência.

Atos bolsonaristas no 7 de setembro trazem agenda antidemocrática

Diferentemente de Bolsonaro, Lula não terá agenda neste feriado. Amanhã, o petista participará do evento Todos Juntos pelo Rio, ao lado do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), no Rio de Janeiro.

Ciro e Tebet decidiram marcar posição. Eles escolheram lugares históricos com referências à Independência: ele estará em Ouro Preto (MG), cidade marco da Inconfidência Mineira; e a emedebista vai a uma fazenda no interior de São Paulo, por onde passou Dom Pedro I. A senadora também mandou um recado aos eleitores na propaganda eleitoral. Segurando uma bandeira do Brasil, disse que o símbolo não tem partido nem dono: “Ela é de todos nós. O Brasil precisa de uma nova independência”.

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