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Simpatizantes do Estado Islâmico matam casal de ciclistas americano

Publicado: agosto, 2018

Simpatizantes do Estado Islâmico matam casal de ciclistas americano

Os americanos Lauren Geoghegan e Jay Austin, ambos de 29 anos, pediram demissão de seus respectivos empregos em Washington DC, nos Estados Unidos, para embarcar em uma viagem de volta ao mundo de bicicleta.

“A vida é curta, o mundo é grande e queremos tirar proveito da nossa juventude e boa saúde antes de perdê-las”, escreveu Austin.

Foi essa a razão que levou o casal a fazer a viagem que terminou tragicamente no dia 29 de julho, quando foram mortos por simpatizantes do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, no Tadjiquistão.

Eles tinham acabado de completar um ano da aventura sobre duas rodas.

O casal estava registrando os principais momentos da jornada em um blog – dos grandes encontros a imprevistos e infortúnios.

Os relatos mostram que, em algumas ocasiões, eles confirmaram suas convicções sobre a bondade humana, mas em outras se viram diante de pessoas mal intencionadas.

“A maldade existe, é verdade, mas ainda assim é rara”, escreveu Austin, quando estava no Marrocos.

“Em geral, os seres humanos são bons. Algumas vezes, egoístas, míopes em outras, mas são bons. Generosos, maravilhosos e bons. Não temos uma revelação maior do que essa em nossa viagem”, acrescentou.

Ex-aluno da Universidade de Georgetown, Austin trabalhava para o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos, antes de embarcar na viagem.

Após adotar um estilo de vida minimalista, ele queria expandir sua visão de mundo, conforme escreveu no blog symplycycling.org. E se aventurou a conhecer o norte dos Estados Unidos de scooter.

Seu amor pelo turismo sobre rodas cruzou as fronteiras com um passeio pelo Marrocos.

Inspirada pelas viagens de Austin, Geoghegan começou, por sua vez, a flertar com o ciclismo ao ir pedalando para o escritório.

E, em 2016, passou a cogitar a ideia de abandonar o trabalho para andar de bicicleta pelo mundo, de acordo com o jornal americano The New York Times.

Em junho de 2017, Austin contou a história de como ele e a namorada deixaram seus respectivos empregos para realizar um sonho.

“Pedi demissão hoje”, escreveu o americano um mês antes da viagem.

“Estou cansado de passar as melhores horas da minha vida diante de um retângulo que brilha (a tela do computador), de colorir os melhores anos da minha vida com tons cinza e bege.”

“Perdi muito pôr do sol enquanto estava de costas. Muitas tempestades passaram despercebidas, muitas brisas sem serem apreciadas”, completou.

Algumas semanas antes da tragédia, Austin e Geoghegan escreveram que planejavam continuar pedalando por mais um ano, talvez dois ou três. “Mas só se nos divertirmos”, afirmaram.

Depois de pedalarem pela África e pela Europa, chegaram ao Tadjiquistão, ex-república soviética, que faz fronteira com o Afeganistão, China, Quirguistão e o Uzbequistão. Lá se juntaram a um grupo de ciclistas estrangeiros.

Em uma parte do trajeto, o grupo foi atingido intencionalmente por um veículo em que estavam vários jovens que disseram ser ligados ao Estado Islâmico. Após o atropelamento, eles esfaquearam as vítimas.

Além do casal americano, um turista holandês e um suíço morreram no ataque, que deixou vários outros ciclistas feridos.

Dois dias depois do ocorrido, o Estado Islâmico divulgou um vídeo em que cinco homens prometem matar os “infiéis”. A identidade dos assassinos ainda não foi confirmada.

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