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PF prende suspeito de enviar crianças ilegalmente aos EUA

Publicado: julho, 2018

PF prende suspeito de enviar crianças ilegalmente aos EUA

A Polícia Federal prendeu ontem um homem responsável por enviar crianças e adolescentes brasileiros de forma clandestina até os EUA. Segundo a PF, desde 2016, cerca de 30 crianças foram enviadas por ano aos EUA.

A prisão do suspeito foi feita em Ji-Paraná (RO), na Região Central do estado, através da 3ª fase da Operação Piratas do Caribe. A PF também tenta prender um segundo suspeito que trabalha como coiote nas Bahamas para ajudar a levar as crianças ilegalmente.

Segundo a PF, o responsável enviava menores de idade para os EUA usando o esquema conhecido como “Cai Cai”, isto é, fazer o ingresso de adultos ilegalmente nos Estados Unidos acompanhados de crianças ou adolescentes.

A tática é usada para que esses adultos não sejam imediatamente deportados, mas que fiquem presos, separados dos filhos aguardando a decisão da justiça.

A primeira fase da Operação Piratas do Caribe foi feita em janeiro de 2017, quando a PF desarticulou uma ramificação brasileira de uma organização criminosa que transporta brasileiros de forma ilegal ao exterior, principalmente aos Estados Unidos, via Bahamas.

A PF também busca mais elementos sobre o desaparecimento de 12 brasileiros em novembro de 2016, quando estes tentavam a travessia pelo oceano através das Bahamas/EUA. Também foi pedido o sequestro de bens dos coiotes para ressarcir o dano causado às famílias das vítimas.

Conforme informações da PF, dois mandados de prisão foram autorizados pela Justiça. Um já foi cumprido e a polícia tenta prender um coiote em Bahamas nesta quarta-feira. Foram cumpridos três mandados de buscas e apreensão foram feitos no Brasil e no exterior.

A terceira fase da operação é feita por intermédio da Delegacia de Polícia Federal em Ji-Paraná (RO) e apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Federal, Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal e Interpol.

A nova etapa da operação tem apoio da Cooperação Jurídica das Bahamas e dos Estados Unidos, além do apoio da Immigration and Customs Enforcement (ICE – U.S).

A PF divulgou nesta quarta-feira que cerca de 30 crianças são levadas anualmente aos Estados Unidos pela organização criminosa. Cerca de 150 adultos também são enviados por ano até o país.

A PF não divulgou, até a publicação da reportagem, onde estão as crianças enviadas clandestinamente aos EUA e nem se algum menor morreu na travessia.

Conforme a PF, a organização criminosa gerenciada pelo suspeito de Ji-Paraná cobrava cerca de R$ 60 mil reais para transportar adultos e crianças até o solo americano.

Antes de sair do Brasil, os imigrantes ficavam em cidades com aeroportos internacionais de fácil acesso. Nos locais eles aguardavam a ordem de embarque para Bahamas. Esta autorização acontecia quando um agente de imigração daquele país facilitava a entrada dos brasileiros.

Ao chegar nas Bahamas, os imigrantes aguardavam por vários dias para tentar fazer a travessia de barco e assim entrarem clandestinamente nos Estados Unidos.

A PF, durante as investigações, constatou que vários brasileiros transportados pelo grupo morreram afogadas quando tentavam a travessia por água. Há suspeita que alguns dos imigrantes também foram assassinados. Um morador de Rondônia chegou a morrer durante a travessia.

No começo do ano passado a PF realizou a primeira fase da Operação Piratas do Caribe, em Ji-Paraná. Uma pessoa foi presa acusada de participar da organização criminosa de ‘coiotes’ responsável por levar brasileiros ilegalmente aos EUA.

No fim de 2016, um embarcação com dois barqueiros cubanos, 12 brasileiros, cinco dominicanos e dois norte-americanos saiu em direção a Miami, nos Estados Unidos, no dia 6 de novembro e após isso não houve mais informações sobre o paradeiro de todos. Entre os desaparecidos estavam dois rondonienses.

No fim do mês de junho, o governo americano suspendeu temporariamente o programa de tolerância zero para imigrantes que entram ilegalmente no país, acompanhados de crianças. O governo diz que o motivo é a falta de espaço para abrigar famílias que seriam detidas. Adultos que entram sozinhos continuam sendo encaminhados para responder a processo criminal.

Na última terça-feira (17) o ministro brasileiro de Direitos Humanos, Gustavo Rocha, informou que existem cerca de 40 crianças brasileiras separadas das famílias no país. Ele estima, no entanto, que o número pode chegar a 50, porém nem todas as crianças foram levadas ao país por coiotes.

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